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Sedentarismo e a vilã preguiça

A evolução tornou o ser humano mais dependente de implementos e elementos que o tornam menos ativo. Basta apenas um breve olhar, entrar em uma residência e observar a rotina de vida do homem moderno. O trabalho físico perdeu espaço, e pouco a pouco é substituído por aparelhos que realizam tudo mais rápido, com menor dispêndio de energia e de esforço. Viver em mundo no qual máquinas substituem músculos tem seu preço. Mesmo que o conforto seja maior, que a economia de tempo teoricamente permita com que outras tarefas mais prazenteiras sejam realizadas, a inatividade pode trazer conseqüências desastrosas para a pessoa. É importante recordar que o movimento é inerente à própria vida, que os sistemas orgânicos que dão suporte e que mantém a vida precisam ser estimulados.
Leis e teorias antigas e recentes confirmam a vocação motriz do homem. Não se deve considerar apenas o movimento externo, ou seja, o movimento que torna capaz a realização das tarefas cotidianas, que proporciona o ir e vir de casa ao trabalho, ao parque ou a um passeio sem compromisso. Que torna possível abraçar, beijar, pegar o filho ou o neto no colo, que permite com que o contato com o mundo, de fato exista. É fundamental também considerar-se o movimento interno, ou seja, aquele que ocasiona novas sinapses, que provoca a formação de novas redes neuronais, produzindo a da neuro-plasticidade e da neuro-gênese. Quando se aborda a necessidade de movimento, choca-se de frente com a necessidade de romper uma barreira natural do ser humano. A lei do menor esforço. Talvez esta seja a lei que todos cumprem com maior rigidez. Consciente ou inconscientemente, voluntariamente ou impelidos pela velocidade dos avanços tecnológicos, os hábitos adotados na sociedade atual contribuem para tornar o corpo, entendido aqui como único, sem a dissociação entre corpo e mente suscetível às doenças e aos males da causados pela hipocinestesia. A longevidade que experimenta o ser humano aumentou. Mas de que vale viver mais e não poder desfrutar plenamente desse bônus de tempo?
A prática de exercícios físicos é atualmente um consenso para os pesquisadores e estudiosos do comportamento humano. Seus benefícios vão desde a redução da incidência de doenças crônicas como a hipertensão, o diabetes, até evidências na redução de infartos do miocárdio, acidentes vasculares cerebrais, redução do risco de alguns tipos de câncer, diminuição dos quadros depressivos, menor incidência de problemas circulatórios, bem como redução no uso de medicamentos. Além disso, comprovadamente, eleva a auto-estima e proporciona maior capacidade para enfrentar com sucesso as perdas que o envelhecimento ocasiona.
Acima, não estão enumerados todos os benefícios que o exercício físico pode ocasionar, contudo, são apresentados bons motivos para incluí-los na rotina cotidiana. Romper a barreira da preguiça, essa força maior e oculta que impele ao sofá, que torna a pessoa surda aos apelos que o corpo faz todos os dias, quando sente que o vigor, a força, a resistência, a elasticidade, a capacidade de raciocínio rápido, os reflexos, a memória, a tenacidade, serem substituídas por rigidez, dor, cansaço, fadiga, indisposição, esquecimento. Desconsiderar o que o corpo precisa para manter-se saudável, é talvez o pior que a pessoa faz por si mesma. As mudanças não precisam ser radicais, na verdade, podem ser pequenas e sutis, mas devem ser constantes. Incluir no seu dia a dia alguns minutos de exercícios de alongamento, uma caminhada, e algum exercício de força, pode fazer a diferença ao longo dos anos. É uma poupança, um investimento em saúde. O importante é pensar que o “tempo gasto em atividade física e em exercício físico é tempo a mais de vida”, com a qualidade que dela se espera.

Professor João Gilberto Costa Lopes


 
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